terça-feira, 19 de novembro de 2013

EM BUSCA DA POESIA 10º1ª e 10º3- 2010/11

Os alunos das turmas 1 e 3 do 10º ano foram convidados a produzir pequenos poemas a partir de desencadeadores de escrita criativa. Confrontados com uma listagem muito limitada de vocábulos, fizeram o melhor que puderam. Não seleccionei os melhores. Publico todos e esta actividade vale pela experiência de brincar com as palavras. Filomena Silva


1oº 1



O cão aldrabão
estava abandonado,
então o João
espalhou bifes dourados
pelo chão.

João Campião

Soldado dourado Francês
Esquerdo ao lado de Inglês
Sentado no meio do português
Matando a fome na mesa do Irlandês.
Eduardo Tomé


O sapo escorregou na casa de banho
desanimado chorou com a sanita
e pediu-a em namoro.
Eliany

O rato corria na distante escada
este rasgão mentia a cada episódio estúpido
Jecira

O poeta não escreve
Fala e escuta
O silvo dos pássaros
E constrói ternuras


Eu…
Eu que fora outrora
Um deles, voei alto
Abri savanas e suspirei como um elefante
Na terra húmida e vermelha

Eu
Escrevi como um justo num lugar árido
E mais…
venci a noite
Desenterrei o aroma de xerez a terra
Achei sinais perdidos nos fios pardos dela
E esqueci a riqueza,
os haveres que os homens acumulam
Os sítios sórdidos
Até extingui de todo
Ser água, pó, grão
Eu morria
Ela nascia

Miguel Coxe

Mostro o rosto louco
às estrelas responsáveis
e encosto-me a remar.

Paulo

Camarada rato camarão
com cara hostil
chora uma rampa de molho
homem espantralho com um tressolho no olho
do tamanho de um repolho

Sandra

O cão esperto prostitui-se à sombra
o ladrão sonâmbulo mostra a esperança

João

Pela terra espalhamos ruído
até o aroma romper as tendas da esperança.

Rui

A raposa nadou com o rato
a rapariga cansada do sapateiro
o nadador com casa modesta
acabaram radiantes e enamorados.

Junisa

De rosto coberto
corria o amado
num fato de lama
corria cansado
de tomate na mão
agrediu o sentimento
era normal
fugia do casamento.

Dulcineia

Ostenta decadência racional
desde macaco a maluco,
marca tendências ao Ramalhão
rapidamente hostil e repente manso

Desço rápido escadas, partindo ossos
tendo marcas raras
hostil, mas maroto,
posso confirmar as armas...~

Afirmo quadra, marco expressões,
ao ponto de palpitar corações...
sinto os erros, supeitos amados...

Fados perdidos... enganados,
mata a rainha dos explorados.
Mania de mandar nos tarados...

Anatilde

Desvanecia-se o amor
sentia-se a dor
hostil, mal avassalador
Doía-me

Uma flor crescia e florescia
mas o amor, ainda o sentia
agonia em demasia
réstia de alegria
Doía-me.

Leonor

Em Roma com um papel
uma tela cheia de bandeiras
um frasco de mel
enquanto espero pelas freiras
roendo uma moela
faço-te aquela mistela
num quadro com uma teia
Desenho-te essa cara feia

Pedro

1oº 3




O veneno é como a maldade

A máscara uma espécie de alucinação

Quando é posta sem qualquer vontade

Cai logo depressa sem hesitação

Sulema


Sofia mexia na pastelaria pastéis

Na missa o Pedro assistia ao terror

Vera


Naquela zona a menina que namora

Às escondidas

Mariana


Sonhar mistura sentimentos desesperados.

Tu desvendas-me sem que eu queira.

Pareces uma túlipa em vão.

Aissatu

Ia sozinha pela terra

e sentia-me como antes

ao mexer-lhe com ternura

Márcia

Seria esta Daniela Albina

Espantada por alguém

Na memória guarda memória engraçada

De Almada onde oferecia algodão da varanda.

Mércia

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